OS EFEITOS DO ÁLCOOL E DAS DROGAS NO ORGANISMO: COMPREENSÃO DE ESTUDANTES DO ENSINO FUNDAMENTAL

OS EFEITOS DO ÁLCOOL E DAS DROGAS NO ORGANISMO: COMPREENSÃO DE ESTUDANTES DO ENSINO FUNDAMENTAL.
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OS EFEITOS DO ÁLCOOL E DAS DROGAS NO ORGANISMO: COMPREENSÃO DE ESTUDANTES DO ENSINO FUNDAMENTAL.

INTRODUÇÃOEsta pesquisa tem como objeto a apreensão de conteúdos sobre álcool e drogas por estudantes do ensino fundamental. Pesquisas sobre o consumo de drogas indicam que o uso começa geralmente na adolescência/ juventude e vem ocorrendo em idade cada vez mais precoce (FREITAS, 2003). A Organizaçã...

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Journal Title: Revista de Pesquisa: Cuidado é Fundamental Online
Main Author: Gertrudes Lopes
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Language: Portuguese
Get full text: http://www.seer.unirio.br/index.php/cuidadofundamental/article/view/1144
Resource type: Journal article
Source: Revista de Pesquisa: Cuidado é Fundamental Online; Vol 2, No Suplemento (Year 2010).
DOI: http://dx.doi.org/10.9789/2175-5361.2010.v0i0.%p
Publisher: Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro
Usage rights: Reconocimiento - NoComercial - SinObraDerivada (by-nc-nd)
Subjects: Applied Sciences --> Nursing
Abstract: INTRODUÇÃOEsta pesquisa tem como objeto a apreensão de conteúdos sobre álcool e drogas por estudantes do ensino fundamental. Pesquisas sobre o consumo de drogas indicam que o uso começa geralmente na adolescência/ juventude e vem ocorrendo em idade cada vez mais precoce (FREITAS, 2003). A Organização Mundial de Saúde (2004) registra que a dependência de substâncias é multifatorial, sendo determinada por fatores biológicos genéticos, culturais e ambientais. Em diferentes tipos de neurotransmissores e receptores que o cérebro possui, as substâncias psicoativas agem por diversos mecanismos, interferindo no funcionamento cerebral normal. Podem ser classificadas como depressoras, estimulantes, opióides e alucinógenas, atuando no aumento ou diminuição da atividade neuronal e trazendo conseqüências a curto, médio e longo prazo para o organismo. Estudo realizado pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas - CEBRID (GALDUROZ; NOTO; CARLINI, 1997) alerta que um fator agravante em relação ao uso de drogas é a tendência mundial de iniciação muito precoce e com utilização de drogas cada vez mais pesadas. O consumo de drogas no Brasil, entre adolescentes se inicia entre 9 e 14 anos. Na faixa etária entre 10 a 12 anos 51,2% já consumiram bebidas alcoólicas; 11% usaram tabaco; 7,8% solventes; 2% ansiolíticos e 1,8% anfetaminas. A situação se agrava entre crianças e adolescentes de rua (CEBRID, 2003). Dados da OMS (2004) revelam que aproximadamente 10% das populações urbanas mundiais consomem abusivamente substâncias psicoativas, apresentando álcool e tabaco como responsáveis pelas conseqüências mais graves para a saúde pública mundial. Considera o consumo de álcool como um dos 10 comportamentos de maior risco à saúde, causando a morte de 1,8 milhões de pessoas no mundo, onde 5% representam jovens entre 15 e 29 anos. Ainda que em grau muito menor, também em relação ao álcool, existe certa intolerância social quando o descontrole no uso se faz presente, explicitando uma situação das mais dicotômicas. Por um lado, a recusa do exagero, por outro, o exagero incentivado nas campanhas publicitárias, que tendem a vender para população cada vez mais jovem, bebidas muito atraentes pela sua diversidade (GORGULHO, 2006). O estudo procurou contribuir para aproximar os estudantes com o tema das drogas produzindo reflexão e discussão. A imersão destes nesta temática propiciou buscar, além de reflexão, conhecimento adquirido a partir de suas próprias vivências, para que pudessem avaliar os riscos advindos do uso/abuso.  OBJETIVOSO objetivo geral foi avaliar a compreensão dos estudantes do ensino fundamental em relação aos conteúdos ministrados sobre álcool e drogas. Elegemos como objetivos específicos: identificar nos conteúdos manifestos pelos estudantes as associações feitas em relação aos conteúdos ministrados e, descrever as relações feitas entre os efeitos das drogas no organismo e os tipos de substâncias ingeridas.  METODOLOGIATrata-se de uma pesquisa do tipo quantitativo. Para Lopes (2006) este tipo de estudo fundamenta-se na probabilidade estatística e na lógica matemática, como os estudos epidemiológicos. O cenário do estudo foi o Instituto de Aplicação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (CAP/ UERJ), localizado na cidade do Rio de Janeiro. Teve como população-alvo 111 estudantes do 6º ano do Ensino Fundamental, reunidos em seu auditório em 30/10/09. Este estudo foi aprovado pelo comitê de ética em pesquisa da UERJ, sob o protocolo n°. 015.3.2008, sendo autorizada sua aplicabilidade pelo diretor do Instituto, contando com o apoio de professores que participaram da realização dos encontros. De acordo com a Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde em relação a pesquisas com seres humanos (BRASIL, 2002), elaborou-se um termo de Consentimento Livre e Esclarecido, assinado pelos responsáveis dos estudantes. A análise das informações foi realizada, utilizando-se uma base de dados no Programa EPIINFO. RESULTADOSA atividade desenvolvida neste cenário foi uma apresentação abrangendo diferentes tipos drogas e seus efeitos no organismo. Para tanto se utilizou algumas formas de comunicação, incluindo apresentação de vídeo. A comunicação na avaliação de Rector e Trinta (2005), inclui as seguintes formas: Vocal verbal: palavras; Vocal não-verbal: sinais paralingüísticos; Não-vocal verbal: palavras escritas ou impressas e, Não-vocal não-verbal: expressões faciais, gestos, posturas. Após a explanação foi entregue aos discentes um instrumento fechado para coleta de dados que pudesse alcançar a compreensão destes estudantes sobre os efeitos do álcool e das outras drogas no organismo humano. Os resultados demonstraram que os estudantes conseguiram identificar a diferenciação entre drogas lícitas e ilícitas. Apontaram como principais drogas consumidas de forma prioritária o álcool (37%%), seguido do ecstasy (18%), crack (13%), cocaína (8%) e, maconha (5%). Informaram (79%) que o álcool é a principal droga para a modificação do comportamento humano, causando distúrbios psíquicos variados. O tabaco (13%), refrigerantes (3%) e café (1%) também foram citados num percentual bem menor de respostas. Em outro questionamento sobre bebidas, 96% identificaram ice e referiram o perigo do uso deste tipo de bebidas que contém mistura de Vodka ou outro destilado com alto teor alcoólico, com extrato de suco de frutas ou refrigerante. Em relação às drogas que causam alterações no Sistema Nervoso Central, 50% entendeu que o álcool é uma droga poderosamente depressora cujos efeitos se iniciam com fase de euforia acompanhada de desinibição, seguida de lentidão, sonolência, apatia, falha de coordenação motora, dificuldade de concentração e perda de memória; solventes (33%), tabaco (10%) e, refrigerante (5%) também foram citados. Questionados sobre que droga causa asma, enfisema pulmonar, insônia e depressão 77% identificaram tabaco de forma expressiva, seguido de álcool (14%) e, café (6%) demonstrando mais uma vez compreensão do assunto abordado.  CONCLUSÃOConcluímos que os adolescentes fizeram associações entre os conteúdos ministrados e os efeitos das drogas no organismo de acordo com as substâncias utilizadas.   REFERÊNCIASBRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria Executiva. Secretaria de Atenção a Saúde. Coordenação Nacional DST/AIDS.  A política do Ministério da Saúde para a Atenção Integral aos Usuários de Álcool e Outras Drogas.  Brasília: BRASIL/MS, 2003. Disponível em: . Acesso em: 10/07/2010. FREITAS, C. M. de. Promoção da Saúde – conceitos, reflexões, tendências. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2003. GORGULHO, M., A Influência da mídia na realidade brasileira do fenômeno das Substâncias Psicoativas: panorama atual de drogas e dependências. Ed Aheneu, São Paulo, 2006. LOPES, G.T. et al. Manual para elaboração de trabalhos acadêmicos: normas da ABNT, estilo Vancouver, bioética. Petrópolis, RJ: EPUB, 2006, 72p. RECTOR, Monica & TRINTA, Aluízio Ramos.  Comunicação do corpo. 4ª ed. São Paulo: ABDR, 2005. LOPES, G.T. et al. Álcool no espaço da escola fundamental e o enfermeiro: desafios na promoção da saúde e prevenção de riscos. Projeto de Pesquisa apoiado pelo CNPQ e financiado pela FAPERJ. Rio de Janeiro, Faculdade de Enfermagem da UERJ, 2009.