O italiano Jannik Sinner já não é mais apenas um especialista em quadras rápidas. Às vésperas de Roland Garros, o número 1 do mundo surge como um dos principais candidatos ao título também no saibro, resultado de uma evolução consistente que vai além da potência e passa, agora, por paciência, leitura de jogo e controle emocional.
Durante muito tempo, o roteiro parecia claro: Sinner dominaria nos pisos duros, enquanto o espanhol Carlos Alcaraz reinaria absoluto no saibro. Mas esse cenário começa a mudar. O italiano vem reescrevendo essa lógica com atuações cada vez mais maduras na superfície mais lenta do circuito.
Atual campeão de Roland Garros, Alcaraz ainda é uma referência quando o assunto é saibro. No entanto, o espanhol foi superado por Sinner na final do Monte Carlo Masters, no início do mês, um sinal claro de que a disputa entre os dois está mais equilibrada do que nunca.
Para complicar ainda mais o cenário, Alcaraz sofreu uma lesão no punho durante o Barcelona Open, o que impactou sua preparação para o Grand Slam francês.
Enquanto isso, Sinner segue ajustando seu jogo no Madrid Open, competição marcada pela altitude, que acelera a bola e exige rápida adaptação dos jogadores.
“ Aqui é um estilo de jogo muito particular. A altitude é alta, o vento pode interferir bastante. É desafiador, mas acredito que cada variação do saibro me ajuda a evoluir como jogador”,explicou o italiano.
Mais do que os resultados, a transformação de Sinner chama atenção pela mentalidade. Segundo Jeff Greenwald, ex-tenista e especialista em desempenho, o diferencial do italiano está na forma como encara o processo.
“Sinner tem uma postura muito sólida emocionalmente. Ele valoriza profundamente o caminho, a evolução contínua. Está focado em se tornar a melhor versão de si mesmo, mais do que em resultados imediatos”, analisou.
Com esse novo perfil, Sinner chega a Paris não apenas como um talento consolidado, mas como um jogador completo e pronto para disputar, ponto a ponto, o protagonismo no saibro com Alcaraz






