A tensão entre dirigentes do futebol brasileiro ganhou mais um capítulo nos bastidores. O presidente do Vasco, Pedrinho, classificou como “prepotente e arrogante” o comportamento de Luiz Eduardo Baptista, o Bap, em um vídeo que voltou a circular nas redes sociais após recentes declarações do mandatário rubro-negro.
A fala de Pedrinho faz referência a uma entrevista anterior, mas ganhou força novamente depois que Bap criticou publicamente o pedido de recuperação judicial da SAF do Botafogo. Em entrevista à rádio Itatiaia, o dirigente do Flamengo questionou a eficácia do modelo adotado no país.
“O modelo da SAF no Brasil precisa ser revisto. Não se pode permitir que alguém assuma um clube, aumente significativamente a dívida e depois recorra à recuperação judicial sem maiores consequências”, afirmou.
O debate ganhou ainda mais peso após a decisão do Tribunal Arbitral da Fundação Getúlio Vargas, que determinou o afastamento imediato de John Textor da presidência da SAF do Botafogo. A medida, divulgada na quinta-feira (23), foi classificada como cautelar e prevê reavaliação após manifestação da companhia.
De acordo com o documento, ao qual a imprensa teve acesso, o tribunal entendeu que as decisões recentes de Textor — incluindo o pedido de recuperação judicial — poderiam gerar “danos irreparáveis” aos acionistas e à própria comunidade de torcedores do clube.
A disputa envolve ainda a Eagle Football Holdings, ligada ao empresário, e a Eagle Bidco, que acionou a Câmara de Mediação e Arbitragem da FGV. O processo é conduzido por um colegiado presidido por Adriana Braghetta.
Enquanto isso, o posicionamento de Bap reforça uma discussão mais ampla sobre o futuro das SAFs no Brasil. Para ele, o modelo é importante para o desenvolvimento do futebol nacional, mas precisa de regras mais rígidas.
“O mecanismo é válido, mas deve ter limites claros. Investidores precisam cumprir compromissos, e, caso contrário, sofrer sanções proporcionais”, completou.
Em meio a críticas, trocas de farpas e decisões judiciais, o caso do Botafogo se transforma em um ponto central de debate sobre governança, responsabilidade financeira e o futuro das sociedades anônimas no futebol brasileiro






