A Justiça do Estado do Rio de Janeiro deu uma decisão importante a favor do Botafogo na disputa contra o Olympique Lyonnais. O clube francês foi intimado a pagar 21 milhões de euros (cerca de R$ 122,3 milhões) ao Alvinegro no prazo de três dias.
Essa é a primeira vitória do Botafogo nos processos movidos contra o Lyon, que fazem parte de um embate maior envolvendo a estrutura da Eagle Football, controlada pelo empresário John Textor. No total, as ações somam aproximadamente R$ 745 milhões e dizem respeito a movimentações financeiras realizadas no período em que os clubes operavam sob o modelo de “caixa único”, já descontinuado.
A decisão favorável refere-se a um processo classificado como título de execução extrajudicial — o que permite cobrança imediata do valor. O montante cobrado está ligado a três transferências realizadas em março de 2025, com destino ao clube francês.
O caso tramita na 17ª Vara Cível da Comarca da Capital e tem como parte executada a empresa Olympique Lyonnais SASU. A sentença foi assinada pelo juiz Leonardo de Castro Gomes, que também estabeleceu um prazo de 15 dias úteis para que o Lyon apresente eventual contestação.
Dentro desse período, o clube francês poderá quitar 30% da dívida e solicitar o parcelamento do restante em até seis vezes mensais, possibilidade prevista na legislação.
A base jurídica da cobrança está em um contrato de empréstimo intra-grupo firmado em fevereiro de 2025. O acordo previa a circulação de recursos entre clubes da rede Eagle Football, com limite de até 100 milhões de euros.
Nos bastidores, o Botafogo sustenta que a Justiça brasileira é competente para julgar o caso, já que o Lyon teria aceitado o foro do Rio de Janeiro no momento da assinatura do contrato.
A disputa judicial é mais um capítulo de uma relação que se deteriorou ao longo dos últimos meses. Em junho de 2025, John Textor deixou o comando do Lyon. Pouco depois, novos gestores do clube francês tentaram interferir na estrutura do Botafogo, ampliando o clima de tensão entre as partes.
O desfecho desse processo pode abrir caminho para novas decisões envolvendo valores ainda maiores, e redefinir a relação entre clubes que, até pouco tempo atrás, operavam como parceiros dentro de um mesmo grupo






