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Julgamento pela morte de Maradona é retomado na Argentina e reacende debate sobre negligência médica

A Justiça argentina volta a analisar, nesta terça-feira (14), um dos casos mais emblemáticos do país: a morte de Diego Armando Maradona. Ídolo eterno do futebol mundial, o ex-jogador faleceu em novembro de 2020, aos 60 anos, enquanto se recuperava de uma cirurgia cerebral.

O processo, que investiga a conduta da equipe médica responsável pelos cuidados de Maradona, havia sido anulado em maio de 2025 após o afastamento da juíza Julieta Makintach. A magistrada foi retirada do caso por envolvimento na produção de um documentário não autorizado sobre o julgamento, o que comprometeu a validade da tramitação anterior.

Com a retomada, o Tribunal Oral em lo Criminal Nº 7 de San Isidro recomeça o processo do zero. Isso significa que depoimentos e provas já apresentados precisarão ser reapreciados, prolongando ainda mais a busca por respostas em um caso que mobiliza a Argentina e o mundo.

Ao todo, sete dos oito profissionais de saúde acusados estarão no banco dos réus. Entre eles estão o médico pessoal de Maradona, Leopoldo Luque, a psiquiatra Agustina Cosachov e outros integrantes da equipe responsável pelo acompanhamento clínico do ex-camisa 10. Eles respondem por homicídio simples com dolo eventual, quando se assume o risco de provocar a morte, crime cuja pena pode variar de 8 a 25 anos de prisão.

A enfermeira Dahiana Madrid, por sua vez, será julgada separadamente por um tribunal de júri, após solicitação de sua defesa. A data desse julgamento ainda não foi definida.

O novo julgamento deve ouvir cerca de 92 testemunhas, incluindo familiares, como as filhas de Maradona, além de pessoas próximas que acompanharam seus últimos dias. A expectativa é de que os depoimentos tragam novos elementos ou reforcem suspeitas sobre possíveis falhas no atendimento médico domiciliar prestado ao ex-jogador.

Maradona morreu em sua casa, vítima de insuficiência cardíaca, poucos dias após deixar o hospital. A defesa dos acusados sustenta que não houve negligência e nega qualquer responsabilidade criminal pela morte do ídolo argentino.

A retomada do caso reacende uma ferida ainda aberta no país, onde Maradona segue sendo mais do que um atleta: um símbolo nacional cuja morte ainda levanta questionamentos, e agora volta ao centro do debate judicial

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