Mesmo no topo do Oeste, Lakers vivem dilema tático e Luka Dončić vira alvo de críticas

Aline Feitosa
A chegada de Luka Dončić aos Los Angeles Lakers elevou a expectativa da NBA em torno da equipe, mas o desempenho em quadra ainda não acompanha o hype. Apesar de ocupar a quarta posição da Conferência Oeste, o time passa longe de apresentar um basquete convincente. Para o ex-treinador e atual analista Sam Mitchell, parte do problema está diretamente ligada ao estilo de jogo do astro esloveno.

Mitchell foi direto ao avaliar o impacto de Dončić no coletivo. “O maior problema do Luka é que ele não joga sem a bola. Não corta para a cesta, não faz bloqueios, não se movimenta para dar opções aos companheiros. Ele é extraordinário quando está com a posse, mas não contribui para elevar o time quando não a tem”, criticou.

As declarações surgem em um momento delicado para os Lakers, que perderam três dos últimos quatro jogos. A sequência negativa levou o técnico JJ Redick a fazer um desabafo público, cobrando mais empenho e intensidade do elenco. Para Mitchell, a insatisfação do treinador é compreensível e passa por um problema maior de encaixe entre as principais peças.

“O drama do Lakers é que LeBron James, Austin Reaves e o próprio Luka têm características semelhantes. Todos precisam da bola nas mãos e, no geral, não gostam de fazer o chamado ‘trabalho sujo’. Não são jogadores que se sacrificam com bloqueios ou cortes em velocidade sem a bola”, analisou o melhor técnico da NBA em 2007.

Embora esse comportamento seja comum entre estrelas da liga, Mitchell ressalta que isso não exime Dončić de responsabilidade. Para ele, o esloveno deveria se inspirar em um exemplo claro da NBA moderna: Stephen Curry.

“Curry não é o armador clássico e nem tem números absurdos de assistências. Mas o que o diferencia é que, após passar a bola, ele não para. Está sempre em movimento, pressionando a defesa e criando espaços. Isso faz toda a diferença”, destacou.

Na visão do analista, uma mudança de postura de Dončić seria decisiva não apenas para o seu jogo, mas para todo o elenco. “Quando o principal jogador aceita fazer o trabalho duro, isso se espalha pelo grupo. Os companheiros seguem o exemplo”, concluiu.

O Lakers deu sinais de reação no último domingo, ao vencer com autoridade o Sacramento Kings. Após a partida, Dončić acabou reforçando, ainda que indiretamente, o discurso de Mitchell. O camisa 77 reconheceu que ele e LeBron precisam ser o termômetro da equipe em termos de entrega.

“A mudança começa com a gente. Quando o Austin Reaves estiver de volta, nós três temos que assumir essa responsabilidade. Precisamos mostrar como se joga e como se compete. Se fizermos o certo, os outros vão acompanhar”, afirmou o astro, indicando que o recado foi assimilado dentro do vestiário.

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