O vice-presidente da Federação Alemã de Futebol (DFB) e presidente do St. Pauli, Oke Göttlich, defendeu publicamente a discussão de um possível boicote à Copa do Mundo de 2026, marcada para Estados Unidos, Canadá e México. Em entrevista ao jornal Hamburger Morgenpost, o dirigente afirmou que “chegou o momento” de tratar o tema de forma concreta, em reação a recentes ações e declarações do presidente norte-americano Donald Trump.
Segundo Göttlich, medidas como a defesa da compra da Groenlândia e a possibilidade de novas tarifas comerciais contra países europeus, entre eles a Alemanha, justificam o debate. A maior parte do Mundial será disputada em solo americano: dos 104 jogos previstos, 78 acontecerão nos Estados Unidos.
O cartola citou o boicote liderado pelos EUA aos Jogos Olímpicos de Moscou, em 1980, como precedente histórico e comparou o cenário atual. “A ameaça potencial hoje é maior do que naquela época. Precisamos discutir isso”, afirmou. Ele também lembrou a polêmica da Copa de 2022, no Catar, quando a Fifa proibiu a braçadeira “OneLove”, levando a seleção alemã a protestar simbolicamente antes da estreia.
Göttlich criticou a falta de posicionamento das entidades esportivas e cobrou respostas de Trump, do presidente da DFB, Bernd Neuendorf, e do mandatário da Fifa, Gianni Infantino. Enquanto isso, outras federações adotam cautela: a França não apoia, por ora, um boicote, e a Dinamarca afirma acompanhar a “situação delicada”. A Fifa evita comentar questões geopolíticas e segue promovendo a alta procura por ingressos do torneio.