Chris Kirkland revela que deixou o futebol por problemas de saúde mental e vício em analgésicos
Torcedor do Liverpool desde a infância, Kirkland viveu o sonho ao assinar com o clube em agosto de 2001, tornando-se o goleiro britânico mais caro da história na época. Apesar do talento e da expectativa, não conseguiu se firmar como titular devido às constantes lesões, somando 45 jogos pelos Reds ao longo de cinco temporadas, período em que, silenciosamente, já enfrentava seus primeiros sinais de dependência.
Após deixar Anfield, Kirkland reencontrou estabilidade no Wigan Athletic, onde viveu seu melhor momento como profissional. Em 2012, assinou com o Sheffield Wednesday e, segundo ele, foi ali que sua batalha emocional ganhou proporções devastadoras. “Sim, me aposentei em 2016 por problemas de saúde mental, mas só falei sobre o vício três anos e meio atrás”, contou.
A busca por alívio rápido para a ansiedade foi o gatilho. Antes de sua estreia pelo Sheffield Wednesday, ele tomou comprimidos para se acalmar. “Me senti melhor e pensei: ‘Se isso me ajuda, devo continuar tomando’.” O que parecia solução virou dependência: em seis meses, Kirkland já consumia mais de 2.000 mg por dia, cinco vezes a dose recomendada.
O vício avançou durante cerca de seis anos e coincidiu com recaídas na pandemia de COVID-19. “Era mais fácil esconder. Se minha esposa perguntasse como eu estava, eu dizia: ‘Estamos em uma pandemia, estou doente como todo mundo’”, relatou.
A deterioração emocional afetou diretamente sua carreira. Depois de uma curta passagem pelo Bury, ele decidiu parar de jogar. “Eu não queria viver”, admitiu, revelando o grau extremo de sofrimento que enfrentou.
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