Sem clube no momento, António Oliveira analisou sua passagem pelo futebol brasileiro em entrevista ao Globo Esporte e foi direto ao apontar o principal problema enfrentado nos últimos projetos: a falta de estabilidade. O treinador português citou as experiências por Cuiabá, Athletico-PR, Corinthians, Sport e Remo, e afirmou não se arrepender de nenhuma decisão.
Segundo ele, tanto no Sport quanto no Remo, onde teve passagens curtas, o contexto era de forte pressão por resultados imediatos. No clube pernambucano, que acabou rebaixado, Oliveira destacou a evolução interna da equipe, mas reconheceu que o calendário e a urgência por vitórias impediram a continuidade do trabalho.
O técnico também comentou a expectativa criada em torno de treinadores portugueses no Brasil, impulsionada pelo sucesso de Abel Ferreira e Jorge Jesus. Para António, isso abre portas, mas eleva o nível de cobrança. “Nem todos são Abel ou Jesus”, afirmou, ressaltando que adaptação ao contexto brasileiro é decisiva para a longevidade.
Ao falar de gestão, elogiou Cuiabá e Palmeiras como referências e criticou a troca constante de treinadores em outros clubes. Já sobre o Corinthians, classificou o comando da equipe como um dos maiores desafios de sua carreira, elogiou a torcida e admitiu o desejo de retornar no futuro. Ele explicou que perdas importantes no elenco e questões emocionais, como o momento vivido por Cássio, impactaram o trabalho.
Aos 43 anos, António Oliveira diz viver uma pausa rara na carreira, dedicada à família, e garantiu que só voltará a trabalhar fora de Portugal se encontrar um projeto sólido, com confiança no treinador e tempo para desenvolver um processo consistente.